ð Contextualização do episódio
¨
Carlos vive com Maria Eduarda num clima de
felicidade, nos Olivais, enquanto o avô Afonso está em Santa Olávia.
¨
Recebe, através do Ega, um número da Corneta
do Diabo, que o difama em calão "num caso que tem com uma gaja
brasileira".
¨
Ega conseguira travar a tiragem do jornal, a
troco de dinheiro.
¨
Carlos primeiro pensa em matar a quem escreveu
mas, refletindo na verdade dos escritos, pensa se não será melhor não casar com
Maria Eduarda.
¨
Volta ao primeiro pensamento: matar o autor do
artigo.
¨
Descobre, pelo editor do artigo, o Palma
“Cavalão”, que tinham sido o Dâmaso e o Eusébiozinho que lho tinham
encomendado.
¨
Ega e Carlos vão até o Grémio, onde pedem a
Cruges que faça de padrinho num duelo de Carlos.
¨
Cruges e Ega vão a casa do Dâmaso. Este faz uma
cena ao saber do desafio, mas acaba por aceitar escrever uma retratação. Ega
escreve-a e ele copia-a.
¨
Na retratação, Dâmaso afirma ser falso tudo o
que fizera publicar, devendo-se o artigo a um estado de embriaguez, hábito
hereditário.
¨
Ega entrega a retratação a Carlos. Satisfeito,
Carlos devolve-lha, para usar como lhe aprouver.
ð Análise do episódio
¨
A Corneta do Diabo aparece como um jornal
de maledicência e de escândalos. O narrador afirma que “na impressão, no papel,
na abundância dos itálicos, no tipo gasto, todo ele revelava imundície e
malandrice”.
¨
O Diretor e principal redator é Palma Cavalão,
um jornalista corrupto. É nesta publicação que Dâmaso Salcede publica um artigo
a satirizar a intimidade da relação de Carlos da Maia e Maria Eduarda. A
suspensão da circulação deste número só é conseguida graças ao Ega e a um
suborno de 100 000 réis.
¨
Eça de Queirós, com o episódio de A Corneta
do Diabo e mais tarde com o jornal A Tarde, retrata a parcialidade
do jornalismo da época e mostra a corrupção quando o Palma Cavalão aceita, por
dinheiro, denunciar o autor do artigo comprometedor.
¨
O propósito queirosiano de denunciar a vida
portuguesa da sociedade da época percebe-se também quando Carlos da Maia
considera que "só Lisboa, só a horrível Lisboa, com o seu apodrecimento
moral, o seu rebaixamento social, a perda inteira de bom senso, o desvio
profundo do bom gosto, a sua pulhice e o seu calão, podia produzir uma Corneta
do Diabo”.
Adaptado de
Infopédia
Jornal “A
Tarde” – cap. XV
ð Contextualização do episódio
ð Contextualização do episódio
¨
Ega estava na posse da carta de retratação de
Dâmaso.
¨
Junto com Carlos, decidem não a publicar, pois
isso só suscitaria a curiosidade da sociedade lisboeta relativamente à relação
de Carlos e Maria.
¨
No entanto, Ega vê Dâmaso com “a sua”
Raquel Cohen. Dominado pelo ciúme, resolve humilhar Dâmaso publicamente.
¨
Dirige-se à redação do jornal A Tarde e
tenta convencer o diretor, o Neves, a publicar a carta de Dâmaso.
¨
Este, inicialmente recusa, pois pensa tratar-se
de Dâmaso Guedes, um correligionário político. Mas quando percebe que se trata
do Salcede, acede a publicar a carta, para se vingar do “manganão” que os
“entalara na eleição passada”.
¨
Na sequência da humilhação pública, Dâmaso parte
de férias para Itália, e o assunto cai no esquecimento.
ð Análise do episódio
¨
O jornal A Tarde aparece em Os Maias dirigido
pelo Neves, deputado, político.
¨
É neste jornal que Ega consegue a publicação da
carta do Dâmaso, não só como represália da injúria feita a Carlos da Maia, mas
também para se vingar de uma possível ligação do Salcede com a sua ex-amante
Raquel Cohen.
¨
Todo o diálogo do Ega com o Neves e outros
funcionários do jornal lisboeta mostra a atmosfera política, o cinismo e a
parcialidade do jornalismo.
¨
Este está também patente na redação de uma
notícia sobre o livro do poeta Craveiro, por pertencer "cá ao
partido", mas sobretudo quando Gonçalo, um dos redatores do jornal, depois
de exclamar "Que besta, aquele Gouvarinho!" e de o considerar
"uma cavalgadura" afirma que "- É necessário, homem! Razões de
disciplina e de solidariedade partidária... Há uns compromissos... O Paço quer,
gosta dele...". E tudo isto acontece pois " - Há aí umas questões de
sindicatos, de banqueiros, de concessões em Moçambique... Dinheiro, menino, o
omnipotente dinheiro!“.
Adaptado de
Infopédia
Os
jornais n’Os Maias – as personagens-tipo
Palma
"Cavalão"
¨
Proprietário e redator do jornal "A Corneta
do Diabo", é um jornalista corrupto, facilmente "agitado com o tinir
do dinheiro".
¨
O nome de "Cavalão" fora atribuído ao
Palma para o "distinguir de outro benemérito chamado Palma Cavalinho.”
¨
Sem carácter, publica artigos injuriosos ou
retira-os, desde que para isso lhe paguem.
¨
É baixo e gordo, como se depreende das palavras
de Alencar que o define como "canalha", "vil bolinha de matéria
pútrida!..." e "chouricinho de pus!“.
¨
Palma Cavalão é o símbolo do jornalismo de
escândalo, feito por jornalistas imorais e corruptos.
Neves
¨
Diretor do jornal “A Tarde”, aproveita a sua
situação para influenciar politicamente os leitores.
¨
Revela parcialidade na decisão de publicar ou
rejeitar artigos com base em amizades políticas.
Os
jornais n’Os Maias – a crítica
¨
O
episódio dos jornais critica a decadência do jornalismo português que se deixa
corromper, motivado por interesses económicos e demonstra uma preferência
comprometedora de feições políticas.
¨
Este
episódio visa denunciar o baixo nível da imprensa lisboeta da época, que se
alimenta de factos da vida privada das pessoas.
¨
Critica-se
a falta de ética dos jornalistas juntamente com a corrupção envolvida, sendo
que se verifica ainda a vingança mesquinha e as amizades simuladas através das
atitudes de Dâmaso e de Eusébio.
¨
Aspetos
a notar: o baixo nível; a intriga suja; o compadrio político; assim como os
jornais, está o País.



