domingo, 15 de abril de 2012

OS MAIAS - Os Jornais "A Corneta do Diabo" e "A Tarde"

Jornal “A Corneta do Diabo” – cap. XV
ð Contextualização do episódio

¨  Carlos vive com Maria Eduarda num clima de felicidade, nos Olivais, enquanto o avô Afonso está em Santa Olávia.

¨  Recebe, através do Ega, um número da Corneta do Diabo, que o difama em calão "num caso que tem com uma gaja brasileira".

¨  Ega conseguira travar a tiragem do jornal, a troco de dinheiro.

¨  Carlos primeiro pensa em matar a quem escreveu mas, refletindo na verdade dos escritos, pensa se não será melhor não casar com Maria Eduarda.

¨  Volta ao primeiro pensamento: matar o autor do artigo.

¨  Descobre, pelo editor do artigo, o Palma “Cavalão”, que tinham sido o Dâmaso e o Eusébiozinho que lho tinham encomendado.

¨  Ega e Carlos vão até o Grémio, onde pedem a Cruges que faça de padrinho num duelo de Carlos.

¨  Cruges e Ega vão a casa do Dâmaso. Este faz uma cena ao saber do desafio, mas acaba por aceitar escrever uma retratação. Ega escreve-a e ele copia-a.

¨  Na retratação, Dâmaso afirma ser falso tudo o que fizera publicar, devendo-se o artigo a um estado de embriaguez, hábito hereditário.

¨  Ega entrega a retratação a Carlos. Satisfeito, Carlos devolve-lha, para usar como lhe aprouver.

ð Análise do episódio

¨  A Corneta do Diabo aparece como um jornal de maledicência e de escândalos. O narrador afirma que “na impressão, no papel, na abundância dos itálicos, no tipo gasto, todo ele revelava imundície e malandrice”.

¨  O Diretor e principal redator é Palma Cavalão, um jornalista corrupto. É nesta publicação que Dâmaso Salcede publica um artigo a satirizar a intimidade da relação de Carlos da Maia e Maria Eduarda. A suspensão da circulação deste número só é conseguida graças ao Ega e a um suborno de 100 000 réis.

¨  Eça de Queirós, com o episódio de A Corneta do Diabo e mais tarde com o jornal A Tarde, retrata a parcialidade do jornalismo da época e mostra a corrupção quando o Palma Cavalão aceita, por dinheiro, denunciar o autor do artigo comprometedor.

¨  O propósito queirosiano de denunciar a vida portuguesa da sociedade da época percebe-se também quando Carlos da Maia considera que "só Lisboa, só a horrível Lisboa, com o seu apodrecimento moral, o seu rebaixamento social, a perda inteira de bom senso, o desvio profundo do bom gosto, a sua pulhice e o seu calão, podia produzir uma Corneta do Diabo”.

Adaptado de Infopédia
Jornal “A Tarde” – cap. XV
ð Contextualização do episódio

¨  Ega estava na posse da carta de retratação de Dâmaso.

¨  Junto com Carlos, decidem não a publicar, pois isso só suscitaria a curiosidade da sociedade lisboeta relativamente à relação de Carlos e Maria.

¨  No entanto, Ega vê Dâmaso com “a sua” Raquel Cohen. Dominado pelo ciúme, resolve humilhar Dâmaso publicamente.

¨  Dirige-se à redação do jornal A Tarde e tenta convencer o diretor, o Neves, a publicar a carta de Dâmaso.

¨  Este, inicialmente recusa, pois pensa tratar-se de Dâmaso Guedes, um correligionário político. Mas quando percebe que se trata do Salcede, acede a publicar a carta, para se vingar do “manganão” que os “entalara na eleição passada”.

¨  Na sequência da humilhação pública, Dâmaso parte de férias para Itália, e o assunto cai no esquecimento.

ð Análise do episódio

¨  O jornal A Tarde aparece em Os Maias dirigido pelo Neves, deputado, político.

¨  É neste jornal que Ega consegue a publicação da carta do Dâmaso, não só como represália da injúria feita a Carlos da Maia, mas também para se vingar de uma possível ligação do Salcede com a sua ex-amante Raquel Cohen.

¨  Todo o diálogo do Ega com o Neves e outros funcionários do jornal lisboeta mostra a atmosfera política, o cinismo e a parcialidade do jornalismo.

¨  Este está também patente na redação de uma notícia sobre o livro do poeta Craveiro, por pertencer "cá ao partido", mas sobretudo quando Gonçalo, um dos redatores do jornal, depois de exclamar "Que besta, aquele Gouvarinho!" e de o considerar "uma cavalgadura" afirma que "- É necessário, homem! Razões de disciplina e de solidariedade partidária... Há uns compromissos... O Paço quer, gosta dele...". E tudo isto acontece pois " - Há aí umas questões de sindicatos, de banqueiros, de concessões em Moçambique... Dinheiro, menino, o omnipotente dinheiro!“.

Adaptado de Infopédia

Os jornais n’Os Maias – as personagens-tipo

Palma "Cavalão"

¨  Proprietário e redator do jornal "A Corneta do Diabo", é um jornalista corrupto, facilmente "agitado com o tinir do dinheiro".

¨  O nome de "Cavalão" fora atribuído ao Palma para o "distinguir de outro benemérito chamado Palma Cavalinho.”

¨  Sem carácter, publica artigos injuriosos ou retira-os, desde que para isso lhe paguem.

¨  É baixo e gordo, como se depreende das palavras de Alencar que o define como "canalha", "vil bolinha de matéria pútrida!..." e "chouricinho de pus!“.

¨  Palma Cavalão é o símbolo do jornalismo de escândalo, feito por jornalistas imorais e corruptos.

Neves

¨  Diretor do jornal “A Tarde”, aproveita a sua situação para influenciar politicamente os leitores.

¨  Revela parcialidade na decisão de publicar ou rejeitar artigos com base em amizades políticas.


Os jornais n’Os Maias – a crítica

¨  O episódio dos jornais critica a decadência do jornalismo português que se deixa corromper, motivado por interesses económicos e demonstra uma preferência comprometedora de feições políticas.

¨  Este episódio visa denunciar o baixo nível da imprensa lisboeta da época, que se alimenta de factos da vida privada das pessoas.

¨  Critica-se a falta de ética dos jornalistas juntamente com a corrupção envolvida, sendo que se verifica ainda a vingança mesquinha e as amizades simuladas através das atitudes de Dâmaso e de Eusébio.

¨  Aspetos a notar: o baixo nível; a intriga suja; o compadrio político; assim como os jornais, está o País.

A ideologia do trágico vs. o Naturalismo

Aqui ficam algumas ideias adaptadas de Introdução à Leitura d'OS MAIAS, de Carlos Reis.


  A tragédia desencadeia-se sempre que uma força transcendente, dotada de um poder arbitrariamente exercido, põe em causa a segurança e a felicidade dos homens.

  Com o advento do Positivismo, as possibilidades do conhecimento humano parecem não encontrar obstáculos intransponíveis.

  Do mesmo modo, o Determinismo de Taine julga poder explicar certos fenómenos culturais por força de fatores como o ambiente, a raça e o momento histórico-social.

  Assim, não é difícil inferir que o Naturalismo, como período estético-literário alicerçado, em grande parte, em correntes de pensamento como o Positivismo e o Determinismo, manifesta-se francamente adverso a qualquer tipo de conceção trágica da existência.

  Ou seja: com o Naturalismo, o escritor demonstra a convicção de que o homem pode dominar e controlar a sua existência sem necessidade de invocar forças transcendentes.

  Porquê, então, a problemática do trágico n’ Os Maias? É que Os Maias surgem numa época de crise de confiança nas coordenadas ideológicas subjacentes ao Naturalismo.

  A descrença na estética naturalista não corresponde a um corte radical, mas antes a uma transformação das diretrizes da escola literária em questão.

  A dimensão trágica da intriga d’ Os Maias insiste fundamentalmente em valores anti positivistas: a incapacidade do homem controlar a sua existência, o carácter imprevisível dos fenómenos, a derrocada de uma situação de felicidade que aparentemente nada poderia pôr em causa.

  Por isso, não se estranha que, quando sobrevém o reconhecimento que antecede a catástrofe trágica, seja Ega a personagem mais diretamente atingida pela crise de confiança em valores até então julgados inabaláveis.

  Para Ega, o que está em causa é, antes de mais, o significado ideológico de um incesto estranho numa sociedade que se julgava perfeita; os factos evidenciados por esse misterioso Guimarães colidem brutalmente com a feição disciplinada de um sistema social espartilhado pela burocracia e, portanto, aparentemente inadequado à eclosão do excecional.

      «Não podia ser! Esses horrores só se produziam na confusão social, no tumulto da Meia Idade! Mas nunca numa sociedade burguesa, bem policiada, bem escriturada, garantida por tantas leis, documentada por tantos papéis, com tanto registo de baptismo, com tanta certidão de casamento, não podia ser! Não!» - cap. XVI, p. 621.

  Assim, impõe-se uma nova ordem: a do absurdo inexplicável em termos racionais, isto é, a da sujeição a explicações de tipo transcendente que tendam a enraizar os fenómenos nos desígnios insondáveis de entidades supra-humanas.

  Por isso mesmo, não se estranha que, no episódio final, o romance se encerre com uma mensagem ideológica identificada com uma conceção fatalista da existência, amadurecida nos dez anos entretanto acumulados:

«Riram ambos. Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que agora o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear… Não se abandonar a uma esperança – nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge… (…)» – cap. XVIII – p. 715.

  Em última análise, o pessimismo existencial patenteado nestas palavras constitui a mais radical negação do Naturalismo determinista e positivista.

  Em função do exposto, compreende-se que este diálogo final desempenha uma função de epílogo ideológico que abarca o nível da intriga e o da crónica de costumes: desiludidas por uma existência estigmatizada pelo ferrete da tragédia como pelo do falhanço social, às duas personagens resta apenas a opção do fatalismo que é, ao mesmo tempo, a da descrença nas suas próprias possibilidades.

Dâmaso Salcede

Elementos para a caracterização da personagem:

Ò é mesquinho e cobarde; não tem dignidade (porta-se como uma rafeiro sabujo);

Ò presumido e gabarola, provinciano e tacanho, só tem uma preocupação na vida: o “chique a valer”;

Ò fisicamente, é baixote, gordo, frisado como um noivo de província;

Ò aproxima-se de Carlos, que admira e inveja, por interesse e desejo de condição social;

Ò tenta convencer-se e convencer os outros do fascínio irresistível que supostamente desperta no sexo oposto, não obstante as suas conquistas estarem confinadas a espanholas de reputação muito duvidosa;

Ò possuidor de grande bazófia e sendo um enorme cobarde, difama pública e anonimamente Carlos, mas retrata-se logo em seguida;

Ò nada tem de inteligente, de honrado ou de nobre;

Ò consegue casar com uma filha dos Condes de Águeda que se apressa a traí-lo;

Ò condensa toda a estupidez, futilidade e ausência de valores da sociedade;

Ò copia qualquer moda ou comportamento importado do estrangeiro, principalmente de França.

A propósito de Dâmaso, ficam aqui também sugestões de respostas para algumas das questões dos exercícios de leitura orientada das páginas 216 e 217 do manual Plural 11, da Lisboa Editora.

1. O cartão de apresentação, excessivamente ornamentado, revela o seu exibicionismo e o seu desejo de ostentar um estatuto social elevado.

2.1. Dâmaso usa um registo de língua pouco cuidado, roçando o calão, como podemos verificar por expressões como “chinfrim”, “género fêmea”, “muita espiga”, “ninguém o pilhava”. Além disso, repete frequentemente o bordão “chique a valer”, evidenciando a sua pobreza vocabular.

2.2. Dâmaso afirma que é um leitor assíduo, mas de seguida confessa achar “confusote” o autor que está a ler, apesar de o considerar “chique”.

2.3. Não. Ele gaba-se de tudo, incluindo das conquistas amorosas. Além disso, classifica-se perante Carlos como “um rapaz da sociedade”.

3. Carlos representava tudo o que Dâmaso queria ser.

3.1. Carlos evitava-o porque Dâmaso impunha a sua presença e era, muitas vezes, inconveniente, chegando a deixar Carlos embaraçado em público.

O espaço físico e os elementos simbólicos

Aqui ficam algumas ideias sobre o simbolismo dos espaços físicos presentes na obra:

1. O Ramalhete

¨  Na opinião de Vilaça, as paredes do Ramalhete sempre foram fatais aos Maias.

¨  Está ligado à decadência nacional. Aliás, o ramo de girassóis aponta para uma atitude contemplativa de submissão, associada à incapacidade de ultrapassar esse estado rebaixado. Isto reflete não só a presença avassaladora da paixão na família Maia, mas também o estado do próprio país.

¨  O jardim do Ramalhete também é rico em simbolismo. Sobressaem três símbolos: o cipreste, o cedro e a Vénus Citereia.

¨  O cipreste e o cedro, unidos de forma incorruptível pelas suas raízes que a tudo resistem, simbolizam o Amor Absoluto.

¨  A estátua da Vénus Citereia liga-se à sedução e à volúpia da deusa do amor. Passa por três fases: na altura da morte de Pedro, enegrecia a um canto; após a remodelação do Ramalhete, reapareceu em todo o seu esplendor, como símbolo de vida feliz, não deixando, no entanto, de estar ligada à desgraça futura, enquanto símbolo feminino desestabilizador; na terceira e última fase, aparece coberta de ferrugem verde e humidade, assumindo uma simbologia negativa de destruição.

¨  Importa referir também a cascata: a água é símbolo de regeneração e purificação, e o seu fluir representa a passagem inexorável do tempo, associada à ideia de Destino.

O Ramalhete – 10 anos depois

¨  Passados dez anos, a casa é um espaço frio, decadente, “amortalhado” sob lençóis, uma vez que Carlos levou para Paris parte do recheio do Ramalhete.

¨  No jardim, a Vénus enferrujada e a cascata sem água sublinham a decadência.

¨  O Ramalhete acompanha e simboliza a glória e a decadência dos Maias.

2. A Toca (casa de Maria Eduarda nos Olivais)

¨  Uma toca é um covil de um animal, é onde este se esconde das ameaças exteriores. Assim, o nome da casa aponta para uma amor marginal, que se torna animalesco por ser incestuoso, desafiando as leis humanas, primeiro de forma inconsciente, depois bestialmente consumado.

¨  Na Toca multiplicam-se os elementos trágicos, sobretudo no quarto de Maria Eduarda: a tapeçaria com os amores de Vénus e Marte; a pintura da cabeça degolada; a coruja empalhada.

3. Santa Olávia (o solar da família Maia, em Resende, na margem esquerda do Douro)

¨  Simboliza a vida e a regeneração dos dois varões da família.

¨  É um espaço natural, conotado positivamente.

¨  Opõe-se ao espaço citadino degradado – Lisboa – local da degeneração da família.

4. Sintra

¨  É um local idílico e representa a beleza paradisíaca.

¨  O seu aspeto edénico, será, no entanto, corrompido pela intrusão dos vícios decadentes, representados pelas figuras de Eusebiozinho e Palma Cavalão, acompanhados de prostitutas espanholas.

¨  Também Dâmaso Salcede transporta o seu “chique a valer” para Sintra, tornando este Éden natural uma continuação do espaço lisboeta.

5. Lisboa

¨  Representa Portugal inteiro: “O país está todo entre a Arcada e S. Bento!” (cap. VI).

¨  Símbolo da decadência nacional, Lisboa é caracterizada pela degradação moral e pela ociosidade crónica.

¨  No último capítulo da obra, destaca-se a estátua de Camões, que assiste impotente à decadência do país.

¨  O país, estagnado e politicamente amorfo, é incapaz de se regenerar, rendendo-se à mediocridade intelectual e à adoção de modas estrangeiras, renunciando a qualquer sentido de identidade própria.

6. Coimbra

¨  Espaço da formação académica de Carlos, Coimbra é símbolo da boémia estudantil, artística e literária.

¨  Eça terá escolhido Coimbra pelo facto de esta cidade ter sido o palco da Questão Coimbrã. Além disso, foi onde o próprio Eça estudou.

7. Espaços estrangeiros

¨  Em Londres exilou-se Afonso, e em Paris exilar-se-á Carlos depois da morte do avô.

¨  Em ambas as cidades viveu Maria Eduarda e daí trouxe o requinte que a distingue das demais.

¨  Para Dâmaso, é chique ir a Paris.

¨  Paris e Londres são, no imaginário português, a Europa civilizada.

¨  Os portugueses imitam as modas estrangeiras, como é visível, por exemplo, no episódio das Corridas no Hipódromo de Belém.

¨  No entanto, nas palavras de Ega, esta importação de modas estrangeiras não resulta, pois a civilização em segunda mão fica-nos “curta nas mangas”.

¨  No fim do romance, Carlos diz que Portugal “é horrível quando se vem de fora”.

Caracterização de Maria Eduarda


Ò  acredita que nasceu em Viena;

Ò  até aos 16 anos viveu num colégio em França;

Ò  passou dificuldades devido à vida dissoluta da mãe;

Ò  viveu depois, em Paris, com o irlandês Mac Gren, de quem teve a filha Rosa;

Ò  morto Mac Gren na guerra, conheceu o brasileiro Castro Gomes, a quem se juntou em troca de estabilidade financeira;

Ò  entrou na sociedade lisboeta pela mão de Castro Gomes, com quem partilhava a sua vida, havia três anos;

Ò  esclarecida a sua situação de amante de Castro Gomes e não de esposa, viveu momentos transitoriamente felizes ao lado de Carlos;

Ò  Guimarães destrói essa felicidade, apresentando os documentos da sua verdadeira identidade;

Ò  parte para Paris e acaba por casar com Mr. De Trelain, casamento, segundo o ponto de vista de Carlos, de dois seres desiludidos;

Ò  é alta, loira, elegante, envolta numa aura de mistério;

Ò  é apresentada como uma deusa, talvez demasiado idealizada, um ser superior;

Ò  tem uma forte consciência moral e social aliada a uma ideologia progressista e pragmática;

Ò  salienta-se ainda a sua faceta humanitária e a compaixão pelos socialmente desfavorecidos, motivando a comparação que Carlos faz entre ela e o avô;

Ò  à sua perfeição física alia-se a sua dignidade, a sensatez, o equilíbrio;

Ò  ainda assim, herdou da mãe algumas marcas, reveladas em pormenores  como a caixa de pó-de-arroz (uma joia de cocotte) e o Manual de Interpretação de Sonhos;

Ò  é vítima do seu passado, numa estética aparentemente naturalista; no entanto, é ela própria que conta a sua história (depois de o leitor já conhecer a personagem), omitindo o que não conhece, afastando-se assim da estática naturalista;

Ò  a súbita revelação da verdadeira identidade da sua deusa vai provocar em Carlos estupefação e compaixão, posteriormente o incesto consciente, e depois deste a repugnância;

Ò  ela é o último elemento feminino da família Maia e simboliza, tal como as outras mulheres da família, a desgraça e a fatalidade.

Caracterização de Carlos da Maia


Ò  É o protagonista;
Ò  segundo filho de Pedro e Maria Monforte, neto de Afonso;
Ò  recebeu uma rígida educação à inglesa, moderna e laica;
Ò  cursou medicina em Coimbra;
Ò  é descrito como um belo jovem da Renascença com olhos negros e líquidos próprios dos Maias, alto, bem feito, de ombros largos, com cabelos pretos, barba muito fina, castanho escura;
Ò  elegante na sua toilette, era admirado pelas mulheres;
Ò  depois do curso acabado, viaja pela Europa;
Ò  regressando a Lisboa, traz planos grandiosos,  que abandona ao sucumbir à inatividade;
Ò  acaba por ser absorvido por uma vida social e amorosa que levará ao fracasso das suas capacidades e à perda das suas motivações;
Ò  é um diletante, demonstrando um comportamento dispersivo;
Ò  apesar da sua educação à inglesa e da sua cultura, que o tornam superior ao contexto sociocultural português, revelando-se um gentleman, será absorvido pela inércia do país, assumirá o culto da imagem, numa atitude de dândi;
Ò  de acordo com a estética naturalista, é vítima da hereditariedade (reflete o luxo e o romantismo da mãe, junto com algum do sentimentalismo do pai), sendo também fortemente influenciado pelo meio decadente em que se move;
Ò  a Condessa de Gouvarinho leva-o a entregar-se ao prazer sensual, do qual se entedia;
Ò  a sua verdadeira paixão nascerá em relação a Maria Eduarda;
Ò  ao saber da verdadeira identidade de Maria Eduarda, consumará o incesto voluntariamente por não ser capaz de resistir à intensa atração que Maria Eduarda exerce sobre ele;
Ò  acaba por assumir que falhou na vida, tal como Ega, pois a ociosidade dos portugueses acabaria por contagiá-lo, levando-o a viver para a satisfação do prazer dos sentidos e a renunciar ao trabalho e às ideias pragmáticas;
Ò  simboliza a incapacidade de regeneração do país a que se propusera a própria Geração de 70;
Ò  no final da obra afirma-se partidário do “fatalismo muçulmano” (ou seja, “nada desejar e nada recear(…) Tudo aceitar…”) – afastando-se da estética naturalista, através da crença no Destino como uma força superior que governa o ser humano, independentemente da sua vontade;
Ò  é uma personagem modelada.

O objetivo deste blogue

   Pensei em fazer este blogue para ajudar alunos. Inicialmente pensei apenas nos meus alunos, mas por que não disponibilizar esta ajuda a todos os alunos que estejam interessados?
   O começo será modesto. Começarei por disponibilizar alguns materiais de apoio ao estudo d' Os Maias.